26.11.09

Top Five XIII

 Este ano a ficção científica volta a dar ares de inovação e qualidade novamente, com os excelentes Star Trek (JJ Abrams), Distrito 9 (Neil Blomkamp) e Moon (Duncan Jones)  que me fizeram relembrar e rascunhar este top dos meus sci-fi's preferidos. 

Top Five Sci-Fi

1º- Metropolis (Fritz Lang, 1926) 

Clássico do expressionismo alemão e um dos meus filmes favoritos, mostra um futuro onde a sociedade hierarquizada entre os nobres e os operários convivem sem esperanças de mudança social, os operários vivem no subsolo trabalhando para manter a cidade enquanto a playboyzada fica curtindo a vida, o filme de 1926 tem uma vitalidade raras vezes vistas atualmente, conta a história do aristocrata que se apaixona pela operária lider da revolta que é substituida por um robô, com robôs, cientistas malucos e filosofias cinematográficas este sci-fi tinha originalmente 5 horas de duração e que hoje mesmo cortado as suas pouco mais de duas horas é deslumbrante e excelente filme pra indicar pro seu filho. 


2º- 2001 - The Space Odyssey (Stanley Kubrick, 1968)

O que seria Sci-Fi senão uma tentativa de compreender até onde o homem pode chegar? e principalmete sua comprensão através da tecnológica em detrimento de vários conceitos éticos e morais, uma das obras-primas de Kubrick transcede a película e nos põe a frente do nosso lado mais existencial,"de onde vemos? pra onde vumos?", música, fotográfia e direção fundem-se com maestria para contar a própria evolução do homem, o número de passagens clássicas é tanto que não cabe citá-los, desde seu começo épico ao confronto entre homem e máquina (representado pelo computador demoníaco HAL), filme lento, pesado e perfeito. 

3º- Blade Runner (Ridley Scott, 1982)

BR  é dos filmes que fizeram o trabalho e sujo, limparam a barra dos sci-fi, que eram vistos como filmes menores, abrindo caminho para o gênero e ainda assim foi mal recebido pela crítica e publico, baseado na obra de Philip K. Dick, Ridley Scott mostra uma Los Angeles em 2019 que tem que conviver com seus Replicantes, andróides criados para serem escravos, uma linha tem de ser eliminada, aí entra o caçador fodão Han Solo, opa, Deckard o então Blade Runner, no decorrer do filme acompanhamos o embate entre criador e criatura a qual os Replicantes se fazem, confesso que não gostava do filme até um tempo atrás, mas sua narrativa tende a crescer no conceito com o tempo com a chance de ficar em primeiro quando eu refazer esta lista...   

4º- Star Wars - The Empire Strikes Back (Irvin Kershner/George Lucas 1980)
  
Este é talvez o melhor filme do meio de todos os tempos, A continuação de Star Wars Uma nova esperança de 1978 é pra este pobre mortal uma obra singular e que ultrapassa seu original, não cabe a mim comentar seus elementos tão difundidos como os sabres, jedis, império do mal, rebeldes e etc..., cabe um pequeno comentário da geração que viu Star wars em dvd, o então clichê primordial está mais que presente, o bem contra o mal toma dimensões extras, sua mercadologia é bem justificada, e a saga dos skywalkers tem um espaço no coração de todo homem de bem.

5º- Matrix (Wachowski Brothers, 1999)

Um clássico de tempos modernos, algo onde não conseguimos sair imunes, os irmãos wachowski nos abrem os olhos para uma ficção científica aliada a bons efeitos especiais, filosofia e kung-Fu, lembro-me do filme ter ocupado minha mente por dias após assiti-lo, e ainda tem seu lugar garantido toda vez que sinto "falta do mundo real", um elenco escalado a dedo num roteiro que copia de várias fontes e nisso cria seu próprio estilo. Essencial.   

17.11.09

Só os mais aptos sobreviveram


13, 14 e 15 de novembro,
2009,
African Bar,
Belém do Pará,
4º festival SeRasgum
Fotos do Flickr do último dia (15).
Programação: Clube de vanguarda celestial (PA) / Godzilla (AP) / Sincera (PA) / Inverso Falante (PA) / Retrofguetes (BA) / AMP (PE) / Hablan por la espalda (URU) / Deliquentes (PA) / Matanza (RJ) / Stress (PA) / Velhas Virgens (SP).

Se Rasgum oficial site aqui

16.11.09

SER4SGUM

 Domingo atípico na capital paraense neste 16 de novembro onde me vi dentro do supra-sumo dos eventos alternativos, o 4º festival Se Rasgum que traz uma caralhada de bandas locais, nacionais e algumas gringas no intuito de saciar a sede de indies, metaleiros, tiozões e desocupados em terras do nortis.  SeRasgum Oficial.  

 Estava na cidade a pedido de um amigo para o 33º evento anual de comemoração ao seu nascimento, o que podia tambem ser encarado como seu aniversário ou um comunicado: "cerveja grátis pessoal!! venham!!", copos e conversas baratas entre amigos e as meninas de classe que nunca me dão confiança, um senhor cantando mpbs desconhecidas para menores de 30 anos e porções de carne mal passada faziam a "preparação" ou "aquecimento" para o festival, que havia começado dois dias antes e que se encerrava naquele domingo, conheço aquela cidade desde pequeno, mas definitivamente nada ali no bairro da sacramenta onde me encontrava,  já um pouco alto, seguimos a desbravar a cidade em busca do African Bar, onde o festival seria realizado (pelo segundo ano consecutivo), local mais que apropriado, o lugar dava a sensação de pequeno e intimista quando tinha um espaço bem amplo que acomodou bem a diversificada programação do evento, pechinchei o ingresso na frente por 18 pratas e entramos quando acabava a apresentação da AMP, banda pernanbucana de guitarras altas e bom entrosamento entre baixo e guitarra, assiti estes pouco, assim como a seguinte, Hablan por la espalda, banda uruguaia de hardcore que vinha pela primeira vez ao festival, pra falar a verdade essa eu nem vi, apenas coloco aqui por que estava na programação, seguimos para a praça de alimentação para abastercermos, cervejas geladas quatro por dez (ainda que a questionável Cerpa Gold), o que obrigavamos a comprar quatro por vez, pechichamos o sushi enquanto passeavam pelo local as indiezinhas que só encontrariamos em pub inglesas, o dia não fora escolhido ao acaso, já havia passado muita coisa boa nas apresentações do dias anteriores, Nação Zumbi, Pato fu, etc... mas era naquele dia que o rock pesado se fazia anfitrião, não minto em dizer que esperava por anos as duas pricipais apresentações da noite, Matanza e Velhas Virgens.

"To hell with Belém"

 Os primeiros citados, então precursores do countrycore no país me fizeram voltar aos meus 17 anos, onde mulheres e bebidas ainda não me consumiam tanto, o rock era tudo que bastava, talvez peque em dizer isto visto o fato recente, mas foi o show a qual mais curti na vida, muito em função do audio, muito bem posto e do nivél aceitavél de alcool no sangue, fui perto do palco (na famosa zona do guargarejo) e pude ver o vigor da banda do "viking" que tem de trunfo a interpretação do mais puro clichê do rock, o "rock pra macho porra!", algumas músicas como "Todo ódio da vigança de jack buffalo head", "tempo ruim", "bom é quando faz mal" e "Pé na porta e soco na cara" (aos fãs acrescentem mais uma dúzia de músicas aqui) foram grandes ápices no show, sem contar a clássica "Ela robou meu caminhão" (que mostra qual a verdadeiro medo de todo homem...), na pausa o palco alternado começou Stress, primeira banda de trash metal do Brasil, propaganda imbutida da mesma, onde as pessoas voavam (literalmente) nesse intervalo para a esperada Velhas pude esbarrar no Bnegão, tirar uma foto com a Syane Neno (apresentadora "sonho de consumo" local), um tapinha nas costas do Elder Effe, voz e guitarra do Ataque Fantasma alem de reconhecer alguns coleguinhas de Twitter, até me surprender com o que viria.

 Pay attention guys: se você tem algumas audições de Velhas Virgens, assim como eu tinha, esquece-as, o show é o caralho (termo que melhor define-os).

"Belém, terra quente pra caralho, bom pra tomar cerveja!!"  Paulão

 O esquema de rocknroll com letras escrachadas não é de hoje, na verdade o humor no rock é uma questão de interpretação, ele existe em maior ou em menor grau, mas as velhas virgens nos seus mais de vinte anos de estradas (e sacanagens nacionais) nos mostram o desejo mais humano através das músicas, o de querer gozar, aliando rock clássico e blues com letras sexualmente-alcoolicas (ou vice-versa) o vocalista Paulão encarna o puto sacana motherfucker ao lado dos vocais melosos de Juliana Kosso e assim "putaria" está formada, grande parte das músicas não conhecia, o que não fez a mínima diferença, sempre contando com refrões grudentos, no melhor estilo "bebados cantando junto" se fez o show pra dançar, gargalhar, beber e beber bastante, já figurando clássicos instantaneos do novo disco dos caras como "O amor é outra coisa", "Strip & Blues"e a pura poesia de bar "A última partida de bilhar" alem de hits underground que na minha opinião se reinventaram ao vivo como "Siririca Baby", "Uns drinks", "O que é que a gente quer?" entre outras... Impressões pouco sóbrias de uma noite delícia entre amigos e parceiros de bar, a ressaca cotidiana não me fez deixar de ir pro trabalho e ainda cansado fazia dar pequenos sorrisos lembrando da noite anterior, se estiverem vivos ano que vem, esperimentem, #fikadica.

 Os mais aptos sobreviveram...

Fotos tiradas do Flickr do Serasgum
  

4.11.09

Retwitting

 Blogsphera e sua maravilhosa contribuição a história da humanidade, a história se reinventa e o fim da união soviética teve um capitulo pouco desenvolvido:

Zanghief: O fim da URSS

No final de 1992 a URSS acabava, nesse mesmo ano era lançado o jogo de videogame responsável pela febre das locadoras dos anos 90 e pelo alto índice de alunos em recuperação nesse mesmo ano: O Street Fighter 2.


Não é preciso explicar a dinâmica do jogo, eram vários lutadores de diversos lugares do mundo, o soviético era um praticante de wrestling treinado na Sibéria lutando com ursos polares, um sujeito com uma sunga vermelha, uma bota parecida com a das paquitas, um cabelo moicano, barba de boate gay, cabelos nas canelas e um corpo coberto de cicatrizes provocadas pelos ataques dos adversários dos treinos.
 Seu nome era Zangief e (como o jogo foi criado pelo ocidente capitalista) era o pior jogador do game, era lento e com golpes previsíveis, os criadores do jogo esquivavam-se dizendo que Zangief tinha o golpe mais mortal do jogo, o pilão giratório, mas não contavam um detalhe: era um golpe difícil de ser executado, pois precisava de 360º no direcional. Em outras palavras, o Street Fighter 2 foi criado com dois objetivos: Avacalhar com a URSS e fazer os estudantes ficarem em recuperação, uma óbvia estratégia dos donos de escolas particulares em conjunto com o Ocidente capitalista

Agora, imagine-se um médico soviético, sua formação lhe permitiria ganhar uma fortuna num país capitalista; tudo bem, vale a pena o sacrifício pelo regime socialista. A abertura política lhe deixou a par da tecnologia capitalista, você poderia ter um carro com telefone, um videocassete, um Super Nitendo; não tem problema, você não tem isso, mas seu país não tem mendigos, analfabetos e prostitutas (apesar de alguns odiarem o socialismo por isso). Seu país não tem problemas sociais, mas tem o Zangief, aí já era demais, nenhum soviético aguentava viver num país onde não pudesse jogar Street Fighter com o lutador nativo dali. A Tailândia, país sem nenhuma expressão, tinha dois dos maiores filhos da puta vilões do jogo (Sagat - do Tiger Robocop e M.Bison - devidamente ridicularizado no longa homônimo ao jogo), até o Brasil, com o Blanka, uma mistura de monga, com sonic e Alf o E.Teimoso, tinha um representante à altura, afinal o Blanka dava a bolota e o Zangief?! Ficava girando que nem aquelas velhas fantasiadas ("Dançando e girando") no Topa tudo por dinheiro no final dos anos 90!


Os países dominados pela URSS também se revoltavam, Ivan Drago era do mal, mas bom de briga, contudo era um absurdo pertencer a um país cujo representante no Street Fighter 2 não tinha poder, por isso começaram a declarar independência na esperança de terem lutadores dos seus países nas próximas versões de Street Fighter com habilidades decentes. O gigante soviético começava a ruir, Gorbachev era acusado de cúmplice daquilo tudo, pois aparecia no final do jogo quando Zangief derrotava todos os inimigos, um país de 75 anos sucumbia diante da ruindade zangifeana. O golpe de misericórdia era dado no maior país socialista do mundo.


O Zangief era o símbolo do que a URSS tinha se tornado: forte e com cara de brabo, contudo lento e sem nenhum poder diante da nova conjuntura costurada a partir do rasgo ideológico provocado pela queda do muro de Berlim.

Os criadores do jogo até tentaram consertar, dando ao Zangief alguns outros atributos e mais rapidez, podiam fazê-lo, afinal o inimigo vermelho tinha sido varrido do mapa e incorporava apenas em pastores performáticos.

E você aí acreditou nos professores GeografiaStars que montam suas aulas lendo jornal?! Francamente!

Tudo obra de Lorotas da Doca, postagem original Aqui

3.11.09

Be Cointreauversial

Aos amantes de mulheres num coquetel...




Dita Von Teese
Playmate Alemã de Dezembro de 2008

26.10.09

Movie Sessions #2



Sublime...

14.10.09

Nova (Nova) SET

 Recebi semana passada a mais nova edição da revista SET, a revista em maio correu o risco de acabar , me pus então a fazer sua assinatura quando vi que ela não se fora, foi quase como abraçar um amigo que estava para morrer, sempre tive contato com a revista e encontrava nela bons textos sobre  a sétima arte, a "quase morte" não foi mero acontecimento, seu custo de produção teve uma visivél queda e por conseguinte sua qualidade, a edição que recebi é do mês de setembro (um mês atrasada), mas com boas novas (ou não), mudou de editora, quem agora tem esse cargo não é mais a Peixes editora e sim a pouco conhecida Aver editora.


 A Revista está visivelmente diferente, começando pelo visual, nas ultimas três edições a revista parecia ter sido feito por um estágiario de publicidade num photoshop freeware, na nova edição ela está mais digramada e estilosa, assim como a conheci, ainda vemos falhas, como a não assintura de algumas materias, a retirada das sessões de música, games, series, etc... outra impressão é de que está sendo feita por poucos, grande parte dos textos e de Roberto Sadovski que até tem uma intimidade com o cinema, mas que não é a única a qual estou disposto a conhecer, as edições passadas não são "perdidas", acertam no risco que correram ao publicar materias de um lado mais underground do cinema (como os 100 filmes de terror e o cinema (não-mais) sexual na terra brasilis, ed.264), deslizou feio com algumas declarações odiosas, como a eleição de "Fim dos Tempos" do Shyamalan como pior filme da década (ed. 263) e alguns pitacos canalhas nas produções de Harry Potter (ed.264),  a seção de dvds e cinema começa a dar um melhorada (ainda que esteja risivél), retirou a porrada de colunas freelance, uma boa já que nem todo mundo está fazendo teoria cinematográfica ou mesmo curso técnico de produção (uma ou duas colunas tão de bom tamanho).
 A nova editora vai "arrumando acasa" com algumas propagandas estranhas (Programa Magnavita?!)  e uma edição já melhorada vista a edições anteriores.
 É sentar e ver ou mudar o canal se nescessário.

13.10.09

Bored to Death

 Impressionante como a dinâmica do seu dia muda com uma conexão maior, o que antes pensava ser uma overdose de series e filmes por semana, hoje não passa de um bom dia na frente da televisão, conexão maior e o catalogo de series duplicou, trplicou, troquei definitivamente a televisão pelos torrents, das series em exibição que estava acompanhando, uma estava prometendo mais que cumprindo, mas que começa a mudar isto, Bored to Death.

 Com Jason Schartzman (Huckbees), Zach Galifianakis (The Hangover) e Ted Danson (coisas meio idiotas meio bobas), mostrou seu potencial no seu terceiro episódio, "The case of the missing screenplay" traz os três atores principais num texto agil e divertido, com direito a ponta de Jim Jarmusch e peitinho de uma atriz desconhecida delícia, A HBO após Eastbound & Down põe na grade mais uma serie comica, e diga-se de passagem um tanto arriscada, apesar da boa recepção da critica para BtD, esta tem um ritmo lento, piadas que vão se formando e não nascem prontas, Zach Galifianakis (ufa...) é sensacional, mas ainda está sendo pouco utilizado por aqui, já no seu quarto episódio (que ainda não asisti) BtD traz Schartzman num papel feito sob medida para ele, Jonathan Ames produtor, escritor e criador de BtD bota seu nome no protagonista que é um escritor de um só livro, que está num bloqueio criativo, então resolve virar detetive particular originando daí varias experiencias reais que ajudariam no seu novo romance, plot aqui, começa a acertar ao decorrer dos episódios num ritmo ideal para a trama e confesso que o simbolo da HBO no começo me deixa mais tranquilo em relação a series em geral. 

30.9.09

A Carta

Alguns dias depois de lê-lo me encontro aturdido em suas inquietações, ele não me deixou após posto na estante, permanece no ar como se sempre estivesse ali, até esquecermos e não percebermos que somos esta personagem coletiva da sociedade, a qual ELE nos denuncia.
Carta ao Pai (KAFKA, Franz, Tradução de Marcelo Backes -- Porto Alegre, L&pm 2006) estava há tempos na estante, compromissos e outros afazeres não deixaram este sair daquela posição, acumulava uma fina camada de poeira quando resolvi adotá-lo para me fazer companhia no final do expediente, é sempre assim, quando menos esperava já estava inserido no mundo kafkaniano, um mundo peculiar e sempre apto a me surpreender, um mundo subjetivo até os dentes, pronto a questionar o que entendemos por fixo, quando tudo criado pela sociedade antes de mais nada foi, criado, como as relações sociais.
A então obra mais íntima de Kafka se revelou a mim muito parecida as demais obras literarias, onde observamos o narrar pugente, onde o autor toca-nos o âmago (ou mesmo nos dá um soco na cara) com o leve desfilar de palavras que mais parecem "o grito de um cárcere dentro de um sonho de liberdade", a obra de Kafka marcada pelo tom subjetivo e de reflexo a uma sociedade alienada e perseguidora, Em a Carta a chance do leitor identificar o autor como este mesmo, em sua relação a qual mais se mostrou marcado.
Dois casamentos rompidos, um emprego insatisfatório, a relação com os familiares vez conturbada vez desconfortante, a carreira de escritor pouco valorizada, nada disso seria mais marcante (ou nem teria acontecido como o autor nos faz acreditar) se sua relação com o pai fosse diferente, Carta ao pai, manuscrita entre 10 e 19 de novembro de 1919, são mais de cem páginas onde o estudante de direito descreve a relação com seu progenitor que por vezes o chama de Deus ou imperador, relação esta marcada pelo autoritarismo de Hermman Kafka que trava uma disputa com o filho, o trata como inimigo e aos poucos atos que reporta ao filho deixa neste cada vez mais a posicionamento de superioridade, apesar dos relatos de opressão, a carta foi escrita como forma de acalmar os animos entre os dois, relatando as angustias, Franz escreve coisas guardadas por toda sua vida, aqui o autor tinha 36 anos e descreve desde sua infância, seu relacionamento com os familiares especialmente com a irmã Ottla, sua carreira profissional junto o oficio de escritor que desempenha aos então relacionamentos amorosos e tentaivas de casamento, a relação com o pai, vai influenciar a todos estes, a impressão de inferioridade permeia a carta nos diversos aspectos da relação pai e filho, seja na educação seja no alheamento que Herman o faz.
"Tu eras a medida para todas as coisas" diz em certo trecho, o próprio ato de casar para Kafka seria tentar escapar das "barbas" do pai, "as tentativas mais grandiosas e esperançosas de escapar de ti, [...] grandioso tambem foi o fracasso" diz num trecho da carta, temos a impressão que o escape do filho nunca seria concretizado visto o grau de opressão recebida da mão do progenitor, que nunca tocou no filho, mas que o mesmo descreve que os gritos, a vermelhidão do rosto eram quase piores para ele, "É como quando alguem será enforcado, se realmente é enforcado, morre e acaba tudo. Mas se tem que presenciar todos os preparativos para o enforcamento e só fica sabendo do indultoquando o laço pende diante do seu rosto, nesse caso ele talvez venha a sofrer a vida inteira por causa disso." diz em outrotrecho na carta.
O Casamento seguido da formação de uma familia seria o máximo que um homem poderia chegar diz Kafka e este "máximo" que descreveu é para Hermman um "mínimo", estabelecendo bem aí a noção de hierarquia e dominação paterna, percebamos o valor psicologico do manuscrito que tem amplo campo na aréa, onde este humilde blogueiro não vai se aventurar, mas como Marcelo Backes entende, "a carta não deve ser entendida apartir do complexo de Édipo e sim o complexo pela carta", Kafka é um entendedor das minúscias da mente humana, esta visão opressora seria revista em maior ou menor grau em todas as obras do autor (A metamorfose, O Processo, etc...) onde declar na Carta "Minha atividade de escritor tratava de ti, nela eu apenas me queixava daquilo que não podia me queixar junto ao teu peito".


A carta nunca foi entregue ao pai.

23.9.09

EP [ou] To Bash In Minds


 Nas segundas mornas, nas ruas vazias, nas escadas do condomínio, para o banco da praça em tardes de brisa enquanto balançam os bambuzais, para filmes sem sentido, para cartas nunca enviadas, para e-mails a uma desconhecida, para o jantar requentado ao lado do ensurdecedor não tocar do telefone, para a televisão sem som, para dias ímpares com gosto de pizza fria, para olhares alheios, para o punhado de palavras que o vento traz vez ou outra para lembrarmos que existe melodia cotidiana, para os textos de blogs abandonados, para o abraço ao parente distante junto ao sorriso fácil, para um gole de cerveja no meio do dia só pra abrir o apetite, para as lembranças boas de épocas não vivídas, para a piada sem graça e o chocolate quente num dia de chuva, para o cara e coroa em final de campeonato, para o Kafka guardado na estante esperando sua vez, para o esperar do ônibus das nove e meia, para o sorriso dado ao ler a menssagem enviada uma hora da manhã, para o sono tranquilo do garoto, para os dois reais achados no bolso da calça, para o marcar do ultimo item da lista como feito, para as músicas sem refrão e as pernas das meninas de fora, para as moedas chaoalhando no bolso e o beijo de despedida....   

Um EP de valor símbolico, com direito a capa e título, de algumas coisas que ajudam a manter o equilíbrio.  



1.Do you Realize (Flaming Lips)
2.Star (Primal Scream)
3.In The World (Moby)
4.High and Dry (Radiohead)
5.Knife (Grizzly Bear)
6.No Cars Go (Arcade Fire)

tente isso.

9.9.09

#thenines

 
 Number nine, number nine, number nine, ... (Revolution 9 - White Album)


  Lembro com uma certa clareza meus primeiros porres, foram na praia e lembro claramente de não estar conseguindo identificar o por que tantas pessoas mudam seu comportamento com uma certa quantidade de alcool no sangue, a vodka barata estava pela metade e não via o tão esperado efeito, devia ter uns quinze anos, onde toda forma de diversão é mais para que outros pensem que estou me divertindo que para o ato em si... levantei de onde estava para pegar algo e então o alcool se manifestou, os sinos bateram, os anjos cantaram, o corpo se desequilibrou, os pensamentos se chocoalhavam na minha cabeça e as pessoas ficavam mais interessantes e sorridentes, aquilo foi incrivél, naquele instante, pouco mais de alguns segundos entendi toda nossa sociedade ter suas bases culturais na manipulação e utilização de drogas, pensava em tudo aquilo no estante em que alguem me segurou e riu. Nunca mais tive porres como naquele verão.
 Pensei nisso enquanto ouvia Magical Mystery Tour (1967) dos Beatles e lia sobre o lançamento de Beatles Rock Band, esse era dos poucos albuns que ainda não tinha do fab four, li um pouco sobre o album e me inseri novamente no contexto a qual os conheci, de certa forma a arte tem suas formas de entorpercer-nos tambem,  o corpo tem suas artimanhas para se apegar ao novo, se alguem me pergunta sobre meu grande amor ou minhas grandes amizades me vem a mente minhas primeiras experiências sem titubear, ainda que recorde de outras, as primeiras deixam uma impressão firme, como marcar a ferro um búfalo selvagem ou cortar uma mangueira no meio de Bélem.
 A arte do entretenimento tem alguma fórmula de se reinventar que traz suas melhores características com o tão almejado "novo", ainda que nunca mais serei aquele moleque que assistiu Pulp Fiction em êxtase, ouviu Beatles e Rolling Stones pensando "é isso que eu quero quando crescer", jogou Zelda como se fosse a própria vida e leu Pulp de Bukowski gozando com o cérebro, o entretenimento sempre dá um jeito de me surpreender (assim como os porres), o novo não necessáriamente é algo recente, o que é novo pra mim pode não ser a outro, conhecia algumas músicas do album de 67 dos Beatles, mas o conjunto da obra não, o que fez recordar e redescobri-los no meio de uma tarde cheia de noves... 
 
 Provavelmente vai demorar um pouco pra mim conhecer o novo Rock Band, afinal minha fonte de novidade não se encontra nessa década, e antes que me esqueça, feliz novedonovedonove, talvez alguem pense que é só mais um dia, sim é mais um dia, mas é sempre é um bom dia para encontrar um motivo pra celebrar.

imagem do HUBLE cedida pela NASA no exato dia de hoje.

28.8.09

Viagem de ida para a lua.


Dark Side of the Moon
1973

 A  perfeição existe...


25.8.09

Top Five XII

                                                          

 Top Five Road Movies

 A mochila na costa, a estrada a frente e a poesia está formada, depois de horas sob estradas (e rios) o sentimento me remeteu a um top five de filmes on the road, estes filmes estão entre meus favoritos e não necessariamente são bons filmes (no sentido de nexo ou atuação), são bons por que encarnam como poucos o sangue nas veias encima de um motor, não estão necessariamente interessados onde vão chegar, e sim como. 
 O rodar de rodovias (ou pistas), o homem e a máquina, o seguir a estrada, estes tem uma poesia intriseca, as duas primeiras posições vestem-se do ideário da contra-cultura não como uma homenagem a ela e sim como a própria, os dois amigos que representam a liberdade (ou apenas dois caras que precisam tomar banho) e o "ultimo heroi americano" tem um lugar garantido no céu dos caras legais. A terceira posição é do patrulheiro rockstar no tempo em que a estrada era para os fortes e os clichês ainda eram bons.
 A quarta posição talvez seja do mais on the road destes, Mcqueen segue por 24 horas numa Le Mans em takes sensacionais que dá até vontade de dar uma voadeira em quem fez os Velozes e Furiosos da vida. Na quinta posição um filme que encarna alem do espirito rock'n roll, o espirito rock'n roll na estrada, e isso por sí só diz tudo, sair na estrada com sua própria banda de rock, o velho sonho de todo moleque...      


1. Easy Rider (Dennis Hooper, 1969 - "Sem Destino") 
 

2.Vanishing Point (Richard C. Sarafian, 1971 - Corrida contra o Destino)

3.Mad Max (George Miller, 1979 - Idem)


4. Le Mans (Lee H. Katzin, 1971 - "24 horas de Le mans")


5. Almost Famous (Cameron Crowe, 2000 - "Quase Famosos")